sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Os cavaleiros medievais: nobres e virtuosos defensores da Igreja

O texto abaixo é um fragmento extraído do romance de cavalaria Tirant lo Blanc escrito por Joanot Martorell por volta de 1.460.
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        Comecemos pela lança, que é larga e de ferro agudo, significando que o cavaleiro deve fazer retroceder os que queiram causar mal ou dano à Igreja: – da mesma forma que a Igreja é imensa, deve o cavaleiro agir tão intensamente que seja tido e temido por todos, mesmo pelos que jamais o tenham visto; ele deve ser temido assim como a lança é respeitada e temida nos enfrentamentos. Com os maus deve ele ser muito mal; com os bons, leal e verdadeiro...

        O significado da espada, que corta dos dois lados, é que pode provocar dano de três modos, pois é possível matar e ferir com os dois lados e também com a ponta. Por isso é a espada a arma mais nobre e de maior dignidade que o cavaleiro pode levar, cabendo-lhe usá-la de três maneiras: primeiramente, defendendo a Igreja, matando e ferindo aqueles que a queiram prejudicar. Como a ponta da espada que fura tudo o que alcança, assim deve o bom cavaleiro furar e atingir quantos desejem prejudicar a cristandade ou a Igreja, não tendo piedade deles nem mercê alguma, ferindo por todos os lados com a espada.

       A correia da espada significa que o cavaleiro deve cingir-se do cinto da castidade da mesma maneira que prende a espada ao meio do corpo. O pomo da espada o significa o mundo...

        A cruz significa a verdadeira Cruz na qual quis padecer e morrer nosso Redentor para remir a natureza humana. O mesmo deve fazer todo bom cavaleiro: morrer pelo restabelecimento e conservação de tudo o que se disse acima...
         O cavaleiro representa o povo, que o cavaleiro deve manter em paz e na verdadeira justiça, pois, assim como o cavaleiro, quando pretende entrar em combate, se empenha em proteger o cavalo, não permitindo que ninguém lhe cause mal, também deve proteger o povo de sorte que ninguém o explore. O cavaleiro deve ter o coração duro e forte contra os que são falsos e impiedosos; por outro lado, terá o coração brando, condoendo-se dos homens de vida reta, pacíficos e leais; mas, administrador da justiça que é, se conceder piedade e mercê ao que merece a morte, estará condenando a sua própria alma.
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Fonte: Tirant lo Blanc, por Joanot Martorell. Editora Ateliê Editorial, pág. 56.

 
 
 

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