quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Profesor & Aluno 1



A Revolução Francesa: perguntas de um petulante aluno ao seu doutrinador e professor de história. (parte 1)


By Adilson J. da Silva


Como professor de história já tive gloriosos e inesquecíveis momentos em sala de aula, em especial nas aulas dos cursinhos pré-vestibulares. Eu me sentia realmente como que caminhando nas nuvens, pois me considerava um verdadeiro intelectual livre, independente e preparado para libertar os estudantes da falsa realidade que viviam. Minha certeza era inabalável em mim mesmo: dominava a compreensão de que já havia superado a ignorância sobre o Brasil e o mundo. Posso dizer que eu era um religioso devoto de mim mesmo e fiel defensor dos dogmas inegociáveis que recebera das escolas e cursos por quais passei.


Reconheço que na época eu só lia livros escritos em minha língua, que me informava sobre política apenas pelos telejornais, revistas e sites brasileiros. Mas, e daí? O mais importante era que eu detinha um diploma universitário, ouvia MPB, defendia a educação pública e odiava os norte-americanos, principalmente os políticos do Partido Republicanos. Enfim, eu não era um excluído. E não é que me considerava um historiador? Eu não era um alienado. Só uma tristeza dominava meu coração: meu diploma não era da USP!

Sendo, pois, um professor de história, eu já havia percebido que na ciência do homem os objetos estudados não são da mesma natureza que os da matemática e da lógica. A linha histórica humana jamais pode concorrer com uma linha dos números. Todavia, eu não era capaz de ver esse raciocínio na prática.


Certo dia, porém, lá pela metade da década de 2.000, numa de minhas aulas sobre a Revolução de 1.789, quando eu orientava os estudantes a abrirem seus manuais do PNLD, tive uma experiência que mudou minha vida para sempre. Foi numa turma do 8º ano (antiga sétima séria). Na classe havia um aluno chamado Tomás. Era um menino tímido e calado, porém praticamente o único que elevava em máximo grau o respeito para com a minha pessoa e para com a minha profissão. Pois bem. Quando conclui minha exposição sobre a diferença entre jacobinos e girondinos, indaguei ao corpo de alunos se havia alguma dúvida, o dito Tomás, calma e educadamente, ergueu a mão e disse que tinha oito perguntas sobre o assunto. Toda a turma riu. Pedi silêncio e sinalizei para que Tomás apresentasse suas questões. Imediatamente, tomando a postura de um verdadeiro e desafiante estudante o garoto prosseguiu.
(...)

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