sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

No Brasil, o protestantismo avançou sob um esvaziamento

Da Tradição Católica em nosso cotidiano

By Adilson J. da Silva
 13 de fevereiro, dia de São Cirilo.

Diáconos e seminaristas do IBP com algumas crianças ( 3º  Congresso do Grupo de Leigos São Pio V. Agosto de 2014)

Quando criança, eu recebi o santo sacramento do batismo. Mas nasci realmente num lar católico? Não. Como milhares de crianças no Brasil, fui levado ainda bebê ao templo católico para receber o batismo, só lá retornando por volta de meus oito anos para receber as primeiras lições do catecismo. Com meus pais? Não. Não tive tanta sorte. Em nosso país, cultivou-se uma imagem peculiar de católico.
Os anos passaram e aos poucos fui sendo afastado do santo seio católico; por fim levado para os braços do protestantismo. Foram os evangélicos que mais se aproximaram de mim. Que mais se fizeram presentes em minha vida, bem como na de milhares de brasileiros. Seja nas periferias urbanas, nas favelas mais distantes, ou em locais raramente conhecidos, lá estão os protestantes, especialmente os chamados pentecostais; sempre procurando se destacar, se fazer notar. Por esse motivo, costumo dizer que o avanço do protestantismo e de suas várias ramificações só foi possível porque nossas cidades e nosso povo foram esvaziados da presença católica.

Os olhos de minha infância e juventude, com raríssimas exceções, não viram padres portando batinas nas ruas e nem mesmo visitando os lares. Nem mesmo em minhas remotas aulas de catecismo os vi vestido conforme os livros católicos velhos mostravam. E isso incomodava meus sentidos: como havia imagens de padres e santos portando batinas, santas portando vestidos longos e imensos crucifixos no peito sem quaisquer correspondentes práticos? Onde estavam as imensas catedrais que tanto via nos livros e nos calendários anuais? Evidentemente, minha infância e juventude não praticaram esses questionamentos de forma direta, mas a alma que habita aquelas formas de meu ser, de alguma forma praticava o princípio de identidade. O leitor por até me questionar, mas não pode negar o fato de que não há nada mais natural na espécie humana que esse princípio.

Mas chegou o momento em que busquei compreender a história da Igreja e foi aí que redescobri o Catolicismo, reconhecendo a verdadeira Igreja de Cristo, reconhecendo a Santa Igreja Católica. Não apenas Católica enquanto instituição, mas na Tradição dos santos apóstolos. Tradição essa, que se ergueu no mundo, os presenteando com grandes santos, com a boa educação cristã e, acima de tudo, com o exemplo da autêntica sabedoria de Cristo. E a luz dessa Tradição sempre foi colocada em lugar de destaque na história da humanidade, como que para iluminar aos que o observavam.
Enfim. Abandonando, então, o protestantismo, reconheci, como dizia, a santa Igreja e perante sua autenticidade reconheci também minha miséria intelectual e espiritual. Enfim, não pude mais ignorar a verdade, a Tradição. E aqui entra algo que, de certa forma, é incomodador: o que não encontrei no cotidiano de minha vida, encontrei nos livros que falavam das grandezas, dos milagres e dos santos.

Uma vez que cri na Santa Igreja, decidi eu mesmo buscar e mostrar aos meus filhos aquilo que nunca tive, que nuca vi e nunca toquei: a presença católica. A começar pelos padres decididos a serem padres. Eu pensava: 'se tantos santos padres sempre foram representados vestidos adequadamente, então nada mais católico que introduzir as crianças ao hábito de vê-los assim. Devem as crianças ver os padres como reais e sinceros sacerdotes, portadores de uma autoridade especial e acima dos demais, tanto no dia-a-dia quanto durante o sacrifício. Não são os padres portadores da sucessão apostólica?'
Missa em rito tridentio, rezada pelo pe. Renato na paróquia Imaculada Conceição, RMC.
Creio que foi o abandono dessas pequenas coisas que a presença real do catolicismo foi sendo substituída por outras formas de cristianismo, vazias do rigor da Tradição dos santos apóstolos . Isso fez com que nossas estruturas mais simples de sentir a presença da Igreja de Cristo no mundo, que são os sentidos, fossem lentamente esvaziadas de sua beleza e profundidade. Então nossos dias foram se esvaziando da presença católica.

2 comentários:

Eduardo Silva disse...

Você disse tudo, meu caro! É exatamente a falta dos símbolos e signos católicos (imagens de Santos e paramentos dos religiosos) que fizeram com que o povo se enfraquecesse na fé! Ademais, veja que para as pessoas desprovidas de ensino (analfabetos), uma importante forma de entrar em contato com o transcendente é justamente os símbolos, signos, ícones e vestimenta dos religiosos. Um camponês analfabeto, ao deparar-se com uma grande catedral, com toda a sua magnificência e ordem, transcenderá por meio da contemplação já que lhes falta a capacidade ler. Julgo que isso é tão ou mais importante que uma leitura de um texto católico, por sabermos que perdemos muitas das nuances que o texto carrega, mas que o intelecto capta nas imagens. Parabéns pelo texto!

Adilson J. da Silva disse...

Boa tarde, meu nobre Eduardo. Obrigado pelas palavras. Aliás, você mencionou a questão da grandeza dos símbolos na vida dos cristãos simples, produzindo neles a contemplação da Grandeza e Glória de Cristo, de sua Igreja e dos santos. O protestantismo não possui isso, o que facilita que eles criem sobre si um vazio muito grande e o desprezo pela História da Igreja. Creio particularmente que todo protestante honesto e disposto a buscar a Verdade com todas as forças se dobra, é incapaz de não se converter ao Catolicismo. A própria Missa é em si um catecismo de adoração, cuja força simbólica e mística tem derrubado muitos protestantes de suas cadeiras do orgulho, seja ele uma pessoa simples, um pastor ou um teólogo. Abraços!