sábado, 7 de março de 2015

Confessai-vos Bem - Padre Luiz Chiavarino – Parte I


Obediência ao confessor, respeito e gratidão.


7 de fevereiro, sábado depois do 2º Domingo de Quaresma.
 D. — Padre, e da obediência ao Confessor o senhor não diz nada?

M. — A obediência ao confessor é virtude tão necessária ao proveito da alma, que se ela faltar ou for defeituosa, todos os esforços serão inúteis. Ela, diz o Beato Cafasso, não conhece nem inferno, nem purgatório, mas só o Paraíso.

D. — Em quê consiste essa obediência?

M. — Consiste em estar-se sinceramente disposto a fazer, omitir tudo e logo, o que o Confessor mandar.

D. — Dizer é fácil! Mas quando não se consegue?

M. — Quanto a conseguir, isto é questão de tempo e depende da graça de Deus, o qual dará o seu auxílio em proporção aos esforços e à obediência de cada um. Ninguém fica santo em um dia! O Confessor sabe disso, e não perde a coragem, apesar das caídas repetidas, certo de que dentro de um tempo - mais ou menos breve — ele e o penitente serão consolados pelo êxito mais satisfatório. Você se lembra que São Felipe Néri trabalhou
durante mais de um ano ás voltas com a alma daquele rapaz, sujeito a pecados de impureza, e conseguiu curá-lo inteiramente e fazer dele um anjo de pureza, só com a imposição de voltar á confissão a cada recaída?
D. — Lembro-me muito bem! De modo que, Padre, não convém ficar desgostoso nem desanimar quando não se consegue logo essa obediência?

M. — Pelo contrário; convém humilhar-se sempre mais e renovar confiante os bons propósitos. Esta é a história de quase todos os santos célebres que afinal eram feitos de carne e osso como nós e sujeitos ás mesmas misérias.

D. — Padre, encontram-se almas dóceis como crianças para com o confessor?

M. — Encontram-se e não poucas, elas desejariam que a sua consciência fosse como um livro sempre aberto e um espelho sempre terso nas mãos do Confessor, afim de que ele pudesse ter e ver nelas claramente. Longe de temerem que as conheça demais, tem medo, pelo contrário, de não saberem revelar-se quanto é necessário, mas fazem isso sem inquietações nem escrúpulos. Com estas almas basta um sim ou um não, uma única palavra, e elas se fiam no que ele julga, sempre prontas para acreditá-lo e obedecer-lhe em tudo. D. — Qual não será o prazer do pobre Confessor quando encontra essas almas dóceis e obedientes; não é Padre?!

M. — Elas são como místicos oásis no meio do seu trabalho duro e monótono, sem as quais, dizia o Santo Cura de Ars, ele não poderia suportar a sua vida quase que exclusivamente devotada ao confessionário.
D. — Mas esses resultados requerem um tempo muito longo?

M. — Para as almas constantes e de boa vontade bastam poucos meses e mesmo poucas semanas. O contrário se dá com as almas que, mesmo sendo boas e bem intencionadas são cegadas pelo amor próprio, e teimosas nos seus ideais. Com essas obtém-se o mesmo resultado que o professor, quando tem que repetir todos os dias as mesmíssimas coisas aos alunos, sem nenhum proveito.

D. — Quais são essas almas tão pouco afortunadas?

M. — São as que, mesmo se capazes de se abrirem ao Confessor, não o fazem
candidamente como dissemos. São as que discutem frequentemente com ele para desviar o curso da conversa. São as que exigem argumentações mais persuasivas, sermõezinhos elegantes para acabarem concluindo como bem lhes parece. Eis aqui uma amostra de certos diálogos, não muito raros por infelicidade, durante os quais o confessor é posto a provas bem duras: Uma senhora acusava-se de ser um tanto arrogante e soberba com o marido, de discutir frequentemente com ele, de não procurar agradá-lo, e mesmo de responder-lhe com maus modos etc. O Confessor procurava persuadi-la de que a esposa deve ser humilde, paciente, dócil, submissa porque, dizia ele:

O homem afinal é o pai da família. E ela respondia prontamente:

— Está bem, eu compreendo, mas a mulher é a mãe.

— O homem deve ser o rei.

— Sim, Padre, mas a mulher deve ser a rainha.

— O homem deve ser a "coroa".

— Sim, Padre, mas a mulher deve ser a cruz, que fica sobre a coroa.

M. — Agora, diga-me, o que é que se pode obter de tais penitentes?

D. — Mas, Padre, essa mulher ou é louca ou então bem arrogante.

M. —Do mesmo modo arrogantes e presunçosos são os que prosseguem nos diálogos, para continuar a namorar, a freqüentar bailes, etc.

D. — Obrigado, já entendi plenamente. E é só o que tem a dizer a respeito do confessor?
M. — Ao confessor devemos ainda três coisas importantíssimas: respeito, caridade e gratidão. E, antes de tudo, respeito e caridade, seja quanto ao segredo da confissão, seja quanto ao modo de nos comportarmos com ele, seja quanto às nossas preces pelo seu ministério.

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