sábado, 7 de março de 2015

Confessai-vos Bem - Padre Luiz Chiavarino – parte 2.


Obediência ao confessor, respeito e gratidão

Fonte: Blog São Pio V

8 de fevereiro, terceiro Domingo da Quaresma.
 
D. — O quê vem a ser respeito e caridade, quanto ao segredo da confissão?

M. — Quer dizer que, assim como o Confessor está ligado ao mais inviolável silêncio em torno dos segredos que lhes são confiados, o penitente por sua vez deve uma certa correspondência. Tudo quanto se passa entre o confessor e penitente forma um todo sacramental com o Sacramento da Penitência, e tudo o que diz respeito à confissão merece estima, respeito e veneração. Trata-se aqui de íntima relação com o representante de Jesus Cristo, e o abaixamento dessas relações ao nível das relações humanas, é verdadeira profanação.

D. — Então, Padre, não fica bem e não se pode falar das coisas ouvidas no confessionário?

M. — Não, não fica bem e não se pode! Tudo que um confessor diz a uma alma em seguida às suas acusações e manifestações, é um alimento e um remédio preparado grão a grão, gota a gota para ela, e não é lícito dissipá-lo e fazer dele matéria de conversações. O Confessor nunca abre a boca sobre aquilo que lhe é confiado na confissão, nem sobre as respostas que dá aos penitentes, estes por sua vez, não devem falar do que eles próprios dizem ao Confessor, nem do que ele lhes diz.

D. — O hábito de falar de tais coisas pode trazer conseqüências?

M. — Pode trazer conseqüências funestíssimas:

1) Pode ser causa de mal entendidos, isto é, fazer crer que o Confessor disse o que ele
nunca pensou em dizer.

2) Pode criar para ele embaraços na direção das almas, devendo ele ocupar-se um por
um, dos penitentes, sem se preocupar com outras pessoas.

3) Pode faltar à caridade para com ele, que não tem em mira senão a maior glória de Deus, e a saúde das almas.

4) Pode ser nocivo ao próprio proveito e ao dos outros, criando rivalidades, invejas, e antipatias, pode mesmo fazer nascer suspeitas sem fundamento na mente de alguns, que tendo o coração cheio de lama, não sabem avaliar as coisas santas. Oh, quantos, pela leviandade de suas línguas comprometem o respeito devido ao Sacerdote e ao Sacramento. Eles repetem as palavras, os avisos, as interrogações do Confessor, mas, separando do resto da conversa aquelas palavras e despindo-as das circunstâncias que as tornavam necessárias, lhes dão um sentido inteiramente diferente do que tinham na confissão, tornam-se falsos e mentirosos. Que responsabilidade diante de Deus... Adotemos, portanto a regra inflexível de não falar, nem pouco nem muito, das coisas da confissão. Se você soubesse quantos desgostos e quantas humilhações causaram ao Santo Cura de Ars umas devotas de falsa
consciência e de falsa piedade!...

D. — E os que falam de seu confessor, ou para criticá-lo ou para elogiá-lo?

M. — Esses também fazem mal. Devemos deixá-lo velado no seu confessionário, onde Jesus Cristo o escondeu. Se o julgarem como um verdadeiro Pai Espiritual, aceitem os
seus conselhos e pratiquem-nos; se pelo contrário acharem que ele não possua todos os dotes que desejariam encontrar nele, não só podem, mas devem abandoná-lo para procurar outro, mais de acordo com os seus ideais sublimes.
D. — O quê me diz, Padre, dos que trocam frequentemente de confessor, no intento de acharem um melhor?

M. — Digo que tais pessoas são o martírio dos pobres Confessores. Chegam a impacientá-los todos um por um, continuando sempre na prática da própria vontade e dos próprios hábitos e defeitos.

Podemos aplicar-lhes a palavras do Arcebispo de Paris, falando de uma abadessa que acabou abandonando o convento, tornando-se jansenista: "Era o tipo mais completo dessas virgens, as quais, sendo puras como anjos, ficam orgulhosas como demônios".

Essas pessoas fazem como certos tipos briguentos que, à procura de um advogado que lhes dê razão, causam a própria ruína, ou como muitos doentes crônicos incuráveis que procuram um médico que, piedosamente os engane.

D. — Padre, o senhor disse que devemos gratidão ao Confessor; de quê modo?

M. — Francamente, se há quem mereça todo o nosso reconhecimento pela qualidade e o número de benefícios que nos traz, essa pessoa é o Confessor, o qual, pelo puro dever do seu ministério sagrado, gratuitamente, sacrifica suas comodidades, os próprios interesses, todo o seu ser em benefício e proveito de nossas almas. Porém, a recompensa, ele a espera de Deus, as únicas coisas que pede a nós são a correspondência ao bem da alma e as nossas preces para ele, seja durante a sua vida, seja depois da morte. Ele leva sempre no coração apreensivo o temor de que, depois de ter salvo os outros, possa ele próprio encontrar-se entre os réprobos.

D. — Portanto, todo o nosso reconhecimento, mas nada de agarramento, não é Padre?

M. — Justamente, obediência, respeito, gratidão, mas, nenhum agarramento. Pelo contrário devemos pôr de lado tudo o que pode haver, mesmo só de imperfeito, nas relações humanas. As partes sobrenaturais nada têm de comum com as landes mundanas da terra.

Nenhum comentário: