domingo, 1 de março de 2015

De como os revolucionaram envenenam uma nação




Um país, o povo e  os maquinadores


By Adilson J. da Silva

 1 de março de 2015, segundo domingo da quaresma


Era uma vez um bom país. Um país com um grande povo, uma fé e um sábio rei. Um país onde cada pessoa vivia a própria vida. Plantavam, colhiam, vendiam, compravam, lucravam, perdiam, se alegravam, sofriam, pagavam seus impostos, gozavam de benefícios, cobravam e pagavam suas contas e tudo mais. Uns eram ricos, e outros eram pobres. Mas todos eram igualmente cidadãos, conforme suas próprias forças o permitiam. Esse país, caro leitor, não era Utopia. Quem escreveu essa estória ainda vive com os pés no chão.

Nesse país, os habitantes cuidavam de suas vidas e de suas famílias. Elas traziam para toda a cidade benefícios, ordem e paz. Cada morador da cidade era livre para fazer de sua vida o que bem entendesse. Ninguém era obrigado pelo rei a agir contra a própria vontade. Havia, todavia, duas obrigações legais e irrestritas: pagar o tributo e usar a própria liberdade sem prejuízo dos outros cidadãos. Eram, pois, essas duas regras, os principais fundamentos da ordem social e econômica do país, o que mantinha a sociedade sempre viva e ordeira. Dessa forma, garantia-se a prosperidade de seus cidadãos e, consequentemente, de todo o povo.
Por serem todos os cidadãos do país livres para conduzirem suas vidas, eram igualmente responsáveis por seus próprios atos. Era assim que a liberdade era vivida e conservada por todos e para todos.

Evidentemente, havia lá os vagabundos, os vândalos e os agitadores com suas ideias. Eram pessoas infelizes com uma ansiedade incontrolável por fazer o país se adaptar a elas. Queriam revolucionar o país para a própria felicidade, uma felicidade cujo alcance dependia do fim daquelas duas regras a que todos os cidadãos estavam sujeitos.

Como consequência, viviam a praguejar e a reclamar da maneira como todos viviam e daqueles que as governavam. Estavam sempre a dizer como as coisas deveriam ser e acontecer. Tentavam de várias maneiras, e por várias manobras, mudar a vida da cidade. Evidentemente nunca conseguiam, porém nunca desistiam. Recorriam aos mais variados e vis recursos práticos e psicológicos, desde pequenas agressões a raciocínios rasteiros. Em suas cabeças não cessavam de brotar ideias e em seus corpos não se percebia o menor sinal de cansaço. Por este comportamento, as pessoas os chamavam de maquinadores. O país, porém, mantinha-se firme e funcionando, com cada cidadão ocupando-se de suas vidas.


Por numerosos que fossem os planos dos maquinadores, os ganhos obtidos não ganhavam a magnitude desejada. Mas essa consequência não se devia a ausência de simpatizantes, os quais já se percebia em bom número, mas que não constituía um corpo comunitário. Todavia, cidadãos mais atentos ao dia-a-dia da sociedade percebiam algo mais significativo: junto ao rei havia quem investisse tempo e vontade em estudá-los: sábios, professores, magos e escribas produziam os mais estranhos raciocínios sobre as maquinações dos maquinadores. E sempre que uma oportunidade surgia, corriam ao rei para expor teorias e tentar persuadi-lo da necessidade de mudanças. O rei, que não era tolo, percebia que as ideias apresentadas a ele eram, na verdade, sementes de dúvidas para atormenta-lhe a mente, para fazê-lo duvidar da organização do país e da felicidade do povo.

Entre os cidadãos, porém, o pensamento era outro. O povo estava sempre determinado, pois as pessoas estando apegadas àquelas duas regras fundamentais do país, e vivendo sempre ocupadas com seus afazeres, acabavam por oferecer resistência às sutilezas dos seus algozes. O próprio amor à vida e à importância que davam às suas rotinas servia-lhes de sabedoria. Assim, sem raciocínios longos e complexos, mantinha-se a salvo os três grandes pilares que sustentavam a unidade nacional: a tradição das duas regras, o povo e o país.

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