segunda-feira, 22 de junho de 2015

Aonde as escolas querem levar nosso povo?



As escolas como caminho para as catástrofes sociais



Eu vi a centelha de nossa destruição. (...) Foi a escola. Construíram a escola antes da Igreja e educaram os filhos de todo mundo desse país. (...) Eles enviaram todos os seus cachorros à escola, porque acreditam que todos devem pensar, falar e agir como eles: sem respeito por classe, tradição ou propriedade. E por isso eles ganharam. Porque acreditam que todos devem viver e pensar como eles. Mas nós perdemos porque não nos preocupávamos como eles viviam. Só cuidávamos de nós mesmos”.

James Schamus in Ride with the Devil (Calvagada com o Diabo), Universal Picture e Good Machine, 1999, direção Ang Lee.  (adaptado)

 

 universidade pública (fonte: desconhecida)

O trecho acima foi extraído do filme Ride with the Devil, de Ang Lee sobre  a terrível civil dos EUA (1861-1865), entre o sul e o norte daquele país.  Esse trecho interessantíssimo é parte de um diálogo que acontece no filme entre os personagens Jack Bull e Cave Wyatt (um fazendeiro), ambos sulistas. É o momento em que eles conversam sobre o que realmente fomentou o conflito entre o Sul e Norte dos EUA, mas com profundas consequências para o sul, claro.

Considero o trecho supracitado o melhor momento do filme, onde o diretor Ang Lee traz um elemento importante sobre Guerra da Secessão (1861-1865): a disseminação irresponsável da ideias. Portanto, além das questões econômicas e políticas, o conflito foi o resultado da militância pró iluminista pelos modernistas e seus propagadores. Um intelectualismo que desprezava, pois, os elementos históricos e culturais dos povos e, no caso dos EUA se impôs contra os americanos do Sul (brancos e negros), trazendo-lhes a mais terrível humilhação da história norte-americana. Esse intelectualismo moderno, infestado de anseios por um Estado forte e uma cosmovisão padronizada dos povos, julgou e condenou a sociedade sulista norte-americana: os sulistas foram considerados indignos de resolver seus problemas. Até nossos livros didáticos de história estão infestados de distorções da história do Sul, e até mesmo os marxistas abrem mão de condenar o capitalismo industrial norte-americano para ovacionar o massacre do sul.

Creio que o filme Ride with the Devil é uma boa leitura daquela terrível guerra civil norte-americana. Embora não seja sua temática central, podemos deduzir dele elementos da mentalidade revolucionária e de como ela se utiliza de estruturas sociais, aparentemente inofensivas, como o sistema de ensino de um país.  

Nenhuma instituição social foi tão decisiva e tão fundamental para a propagação de ideologias como as escolas, especialmente na Idade Contemporânea. Podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que em nossos dias as escolas não tem outra serventia que não fortalecer as ideologias e disseminá-las no imaginário social. Isso explica porque as ideias que motivam a decadência das sociedades sempre se reinventam: suas premissas sempre se renovarão e sempre criarão elementos novos e se combaterão, como um cachorro tentando morder o próprio rabo. E mesmo após mordê-lo não perderá o vício de fazê-lo.

A “verdade” de uma revolução que apregoa a destruição pela morte de seus inimigos é a mesma verdade que busca as "soluções" imediatas. Soluções sempre impostas por meio de ações de natureza dupla: doutrinação mental com engenharia social. Da mesma forma que os povos sulistas dos EUA, estamos vivendo a imposição das ideias, porém num ambiente ainda mais decadente.

Qualquer pessoa mentalmente honesta e saudável que pesquisar sobre a Guerra da Secessão, descobrirá que sua causa foram as ideologias que promoveram a Modernidade. São as ideologias modernas o epicentro que conduzem um povo à destruição. Toda ideia é má? Evidentemente que não. E onde está a diferença entre a má ideia e a boa? No fato de que toda boa intenção não busca aniquilar aquilo que condena, mas extrair o que há de melhor e aperfeiçoar. Quando os romanos acusavam os cristãos de destruir a tradição romana, santo Agostinho respondia: “Pelo contrário. Queremos torna-la melhor”.

Não é difícil perceber na história dos EUA, como também na de todo o Ocidente, que as ideias foram o combustível que alimentou e deflagrou a Guerra da Secessão. Ora, esse mesmo combustível solapou os fundamentos morais das sociedades norte-americanas a partir dos anos 60, com a ascensão do marxismo cultural nos campos da sexualidade e da cultura de massa. Aliás, a depravação moral e as culturas sórdidas têm sido apregoadas aos quatro cantos da Terra como as únicas expressões reais do povo norte-americano. Observe-se que é na educação que os intelectuais, especialmente os anarquistas, socialistas e liberais radicais irão combater tudo o que julgar “opressor”. Então, valendo-se do poder de formar opiniões e do analfabetismo funcional das pessoas, eles fixam no imaginário popular a ideia de que os modelos escolares ofertados pelo poder público é o único caminho para a cidadania e para a liberdade. O estado é o grande braço dos revolucionários.

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