segunda-feira, 20 de julho de 2015

Monteiro Lobato: fábulas I


A assembleia de ratos
By Adilson J da Silva

Fonte: Fábulas, Monteiro Lobato, Editora brasiliense S. A.





Um gato de nome Faro-Fino deu fazer tal destroço na rataria duma casa velha que os sobreviventes, sem animo de sair das tocas, estavam a ponto de morrer de fome.

Tornando-se muito sério o caso, resolveram reunir-se em assembleia para o estudo da questão. Aguardaram para isso certa noite em que Faro- Fino andava aos miados pelo telhado, fazendo sonetos à lua.

– Acho– disse um deles –que o meio de nos defendermos de faro fino é lhe atarmos um guizo ao pescoço. Assim que ele se aproxime, o guizo o denuncia e pomo-nos ao fresco a tempo.


Palmas e bravos saudaram a luminosa ideia. O projeto foi aprovado com delírio disse:. Só votou contra um rato casmurro que pediu a palavra e disse: – Está tudo muito direito. Mas quem vai amarrar o guizo no pescoço de Faro-Fino?


Silêncio geral. Um desculpou-se por não saber dar nó. Outro, porque não era tolo. Todos, porque não tinham coragem. E a assembleia dissolveu-se no meio de geral consternação.

Moral: dizer é fácil, fazer é que são elas.


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