terça-feira, 12 de abril de 2016

Panama Papers e corrupção internacional



E o sonho de Marx, Lênin, Stálin e Khruschov tornou-se, enfim, realidade: o Ocidente está fedendo de podre. Seu odor é insuportável.
 
imagem: portal dinheirovivo.
Há mais perguntas do que respostas, pelo menos até agora, sobre o vazamento de fragmentos do que se diz ser 11,5 milhões de documentos de, mais uma vez, supostamente, uma empresa de advocacia panamenha incrivelmente corrupta.
As primeiras compilações dos "papéis" já derrubaram o primeiro-ministro da Islândia, pego ostensivamente em um conflito de interesses com os bancos do país, o que ajudou a trazer a crise financeira de 2007-08 em todo o mundo. Até agora, mais de setenta atuais ou antigos chefes de Estado e de governo foram envolvidos na coisa toda. Segundo as conclusões parcialmente publicadas pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, uma aliança em si um tanto misteriosa de jornais de esquerda em todo o mundo, os registros incluem três dúzia de entidades colocadas em lista negra pelos EUA.
Por que esse grupo se recusou a liberar todos os documentos? Eles aparentemente incluem tudo e todos, desde mexicanos traficantes de drogas a grupos terroristas para países sob sanção, como Coreia do Norte e Irã.
Não é exatamente nova a notícia de que chefes de Estado e de Governo de todo o mundo têm mergulhado no bebedouro público, às vezes tão profundamente como no escândalo ainda florescente na Malásia. Ali, nossos colegas do The Wall Street Journal estão relatando que 1 bilhão de dólares apareceram misteriosamente na conta bancária pessoal do primeiro-ministro Najib Razak, assegurando a seus devedores que seus cheques não seriam devolvidos.
Nos garantem que as contas bancárias no exterior não são necessariamente concebidas como uma forma de sonegação de impostos. Mas ninguém parece capaz de explicar para quais outros usos dignos elas poderiam ser usadas. As autoridades fiscais na Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido, aparentemente, chegaram à mesma conclusão, uma vez que já anunciaram que estão investigando exaustivamente todo o lote panamenho.
Uma grande questão nos ocorre, no entanto, sobre a qual não ouvimos nenhuma especulação. Como é que tudo isto estava acontecendo no Panamá, aparentemente em uma escala que é difícil acreditar que os moradores não tinham conhecimento, e por algum tempo, sem a intervenção das autoridades do Tesouro dos EUA? Até agora não há americanos proeminentes implicados. Mas com o tamanho da documentação, não podemos acreditar que tenhamos muito o que esperar.
A razão porque perguntamos é que os EUA e Panamá têm uma associação longa, intensa e extensa. Já em 1846 um tratado entre a Colômbia e Estados Unidos obrigavam Washington a manter a "neutralidade" no então departamento do colombiano do Panamá em troca do trânsito através do istmo. Os panamenhos já tinham uma longa história de insurreição armada contra o governo federal em Bogotá. Em um dos períodos posteriores de instabilidade, os EUA, em 1885, assumiram a cidade panamenha de Colón a se defrontaram com uma contra-ocupação chilena da Cidade do Panamá. Os latino-americanos especularam que Washington estava se movendo para a anexação, mas ela não veio.
Em 1903, quando o Parlamento colombiano rejeitou um tratado com os EUA para conceder a Washington os direitos de continuar a construir um canal entre os dois oceanos que os franceses [os construtores de Suez] tinham começado e não puderam terminar, os americanos passaram a apoiar os independentistas panamenhos. A extraterritorialidade da Zona do Canal dos EUA que fora criada foi finalmente abandonada pelo presidente Jimmy Carter em 1977 com muitas controvérsias domésticas no EUA.
Mas uma década depois, o George W. Bush interveio para destronar um novo ditador corrupto, Manuel Noriega. Washington tinha tolerado Noriega operar com drogas, mas quando ele mudou para a política pró-cubanos e pró-soviéticos na América Central e roubou uma eleição presidencial ganha por seus adversários, os EUA movimentaram-se para derrubá-lo, apesar de fortes críticas por toda a América Latina e na ONU. Desde então, é claro, uma empresa chinesa de Hong Kong com estreitas ligações com Beijing adquiriu os direitos de estiva em ambas as extremidades do canal, novamente para a consternação de alguns estrategistas americanos. 
Esta breve revisão da história levanta a questão: com o tipo de laços militares e civis tradicionais com o Panamá, não estava o Tesouro dos Estados Unidos ciente dessas mutretas sonegadoras, algumas delas claramente ilegais, mas não as reprimiu, e se não, por que não?


Extraído do portal midiasemmascara.org
Publicado originariamente na página American Center for Democracy.
Divulgação: Papéis Avulsos - http://heitordepaola.com
Tradução: William Uchoa

2 comentários:

FireHead disse...

Fiquei admirado - se calhar não devia, é claro - por saber que a neta do Mao Tsé-tung também anda metida nisto... Que coisa, é difícil seguir o exemplo dos ídolos...

Adilson disse...

Eu também. Na verdade o que me motivou a fazer essa postagem foi o FireHead: quando lá vi uma postagem sobre esse assunto. É realmente assustador.