quinta-feira, 14 de abril de 2016

Superman v Batman: somos ocidentais, sim, senhor! (parte I)



Em Batman vs Superman: a origem da Justiça, a mulher ganha o lugar que lhe é de direito, o conservadorismo ganha voz e o universo "comics" é enriquecido. O filme toca em pontos conservadores com questões como: é possível sermos justos numa geração em que a injustiça é estimulada? Se um simples fazendeiro toma para si o dever de praticar as virtudes em seu dia-à-dia, então qual deve ser a ação dos que possuem maior capacidade?


No filme Batman vs Superman, símbolos do conservadorismo cristão enriquecem a produção.



Antes da estreia do filme Batman v Superman, Dawn of Justice de Zack Snyder, eu suspeitava que os elementos presentes em seu filme anterior, Man of Steel (2014), seriam esquecidos, uma vez que o roteiro não seria assinado pela mesma dupla, Christopher Nolan e David S. Goyer. Me refiro à forte carga de conservadorismo e do Sagrado com o qual seu roteiro havia sido escrito. Na ocasião, a vida do alienígena Superman recebera um marcante paralelo com a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. E não apenas isso. O roteiro de Nolan e Goyer deu uma graciosidade bem ocidental ao Super-homem, o que, acredito eu, agradou aos telespectadores em geral. Recebemos de Nolan e Goyer um Super-homem com grandes poderes, mas enriquecido com o melhor que o mundo ocidental já produziu em sua História: a sabedoria do filósofo grego Platão, os traços culturais de Roma e a beleza moral da tradição judaico-cristã. Enfim, o Homem de Aço que Nolan e Goyer apresentaram ao cinema é ricamente ocidental.
Felizmente, o roteiro de Batman vs Superman: O Origem da Justiça, agora assinado por  David S. Goyer em parceria com Chris Terrio, não foi esvaziado das mesmas riquezas encontradas em O Homem de Aço. Pelo contrário. Há muito da ideia anterior. E mesmo sob aquele formato espetacular de Zack Snyder apresentar o roteiro de Goyer e Terrio, que ele chama de ópera (tal como no filme 300, protagonizado por Gerard Butler), o bom observador consegue ver a presença de elementos do conservadorismo sem pedantismo ou apelo, como fez Ridley Scot em Gladiador e Kingdom of Heaven (2005), nos quais é patente a demonização do Ocidente e da religião cristã em favor do politicamente correto.
Em Superman v Batman, Snyder mostrar a compreensão da mulher, dos valores morais e políticos e religioso do Ocidente, todos fazendo-se presentes no desenrolar do filme. E o interessante é que isso é feito sem qualquer extravagância ou apelo sentimental. É feito com a maestria e a naturalidade com que vivemos em nosso dia-a-dia, como que intuitivamente. Nós, ocidentais não vivemos nossos dias conjecturando fatos históricos, apenas os vivemos. E isso é ainda mais presente nos conservadores, para os quais cumprir as tarefas diárias solitariamente é tão natural e magnífico quanto fazê-la aos olhos dos outros. A preocupação racional com o ocidentalismo, enquanto discurso, só brota de fato em nós quando ameaças são visíveis e sentidas, o que geralmente acontece em termos intelectuais.
Sobre a mulher: Snyder tematiza a mulher como a chave que une o humano e o sobre-humano: Marta, é uma mulher, e uma mãe, para dois mundos! Marta é a figura feminina amada e sagradamente arraigada nos corações do cavaleiro humano e do deus da capa vermelha. É o nome Marta que apazigua dois corações carregados de desespero e, por fim, evita que ambos cometam uma injustiça. Portanto, a figura feminina em Batman v Superman ganha um lugar privilegiado, um lugar em que o amor por Marta é o princípio do amor à humanidade.

Continua...

2 comentários:

FireHead disse...

Não gostei do filme. Achei muito exagerado e com muitas invenções.

Primeiro: sempre fui um grande fã do Batman. Este filme revela-nos um Batman diferente do verdadeiro, que recorre à violência e que, imagina, até usa armas de fogo e mata gente! O verdadeiro Batman é uma personagem sensata, que faz da sua inteligência a principal arma.

O realizador fez as invenções necessárias e apressadas, a meu ver, para poder enquadrar diferentes histórias numa só. O facto de haver a Liga da Justiça já é em si uma hipérbole, pois está-se a juntar mundos completamente distintos. Eu sou a favor de que os heróis deveriam continuar a ter as suas próprias histórias, mas também entendo que haja a necessidade de gerar receitas e fazer frente à concorrência (Marvel, com os Vingadores). Ainda assim pessoalmente prefiro remeter isto a uma realidade alternativa do universo dos super-heróis.

Quanto ao Superman, na verdade a sua origem até é judaica: http://bloguedofirehead.blogspot.com/2011/01/origem-judaica-do-superman.html

Abraço.

Adilson disse...

Sim, meu amigo. Correto! Há muitos exageros, afinal é o Zack Snyder. Senti-me incomodado com tudo isso que você aponta quando fui ao cinema. Me esforcei para fechar os olhos. Sobre Batman, para mim Christopher Nolan fez o melhor homem morcego para o cinema dos últimos 30 anos, partindo da história da idéias, especialmente no último filme da trilogia, quando a mentalidade revolucionária é tematizada. Aliás, Nolan se valeu da literatura (Um Conto de Duas Cidades) de Charles Dickens em que o espírito da Revolução Francesa é tratada. O Batman de Synerd é tudo isso que você apontou. Afinal, Snyder (um fiel pupilo de Frank Miller), não possui a perspicácia de Nolan e de seu irmão. Vale notar: quando ele escolheu o Ben Affleck para o papel, a grande maioria dos fãs reprovaram a escolha (certamente você deve ter ouvido/lido sobre isso. Eu também não gostei essa opção, e por dois motivos: 1) não o considero tão bom ator quanto Christian Bale e 2) Affleck é um progressista e defensor de muitas coisas do politicamente correto, como achar que o Islã nada tem a ver com terroristas, além de fechar os olhos para detalhes sérios da História, como fica claro em seu filme Argo, onde dá todos os créditos ao safado do Jimmy Carter. Na segunda parte da presente postagem, eu já planejava mencionar alguns desses problemas que você apontou.
No que diz ao Super-homem, eu já havia notado a etimologia dos termos, mas desconhecia essas informações sobre suas características originais. Essa tua postagem é de 2011, e nem imaginava que já havia feito esse bom trabalho. Aliás vou reproduzi-lo aqui no Agathon. Particularmente eu gostei muito do Superman de Richard Donner (1978) sob o roteiro de Mário Puzzo, mas gostei ainda mais das características que o roteiro de Christopher Nolan e David S. Goyer deram ao Homem de Aço. Infelizmente, Snyder acabou prejudicando ao fazer Superman cometer um homicídio no final do filme, o que foi contrário à ideia original dos dois roteirista. Há um excelente vídeo de Guilherme Freire em que ele fala sobre o filme o Homem de Aço. É um vídeo muito rico. Considero o Guilherme um bom intelectual católico do canal Formação Política, e que sempre nos trás interessantes palestras sobre cristianismo e sobre literatura da Tradição conservadora e católica.