sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

A alma sob o desespero

autor desconhecido
fonte: blog alternativasdaeducacao.com

publico hoje uma carta de um desconhecido homem de mais de meio século de idade que se perdeu nas intempéries da vida impostas pela compulsiva dedicação ao trabalho e abandono gradual da família. Diante da consciência dos danos que causou e sem fé, o pobre homem encontra-se sozinho e aflito por não saber o que fazer: sente-se desprovido das ferramentas mentais necessárias para recomeçar. Velho, doente, solitário e atormentado por uma culpa que alfineta-lhe os pensamentos, o homem está apavorado pelas dura realidade que lhe exige uma postura. Vazio de autoridade para conversar com a família, o infeliz escreve-lhe, então, uma carta, partindo em seguida para sempre.


Amada família que nunca amei:

Lamento. Lamento em profundidade pelo passado e pelo presente.

Lamento por todas as coisas que aconteceram e pelas que agora acontecem e, certamente, acontecerão. Lamento pelos sofrimentos diversos que vos causei. Deixei-me iludir pela falsa idéia de que apenas eu, eu somente, era absolvido pelo que estava acontecendo comigo. Mas as conseqüências do que me acontecia se expandiram para além do meu eu. Lamento por não ter feito nada para alterar o curso das coisas. Agora compreendo o quanto vocês também foram atingidos, e que foram mais alvos do que eu mesmo.

De tudo o que lamento, lamento ainda mais porque não posso mudar as coisas. Realmente, lamento. Lamento da parte mais profunda de minha alma.

Sinceramente? Agora reconheço e compreendo que eu era incapaz de evitar tudo isso. Às vezes penso que poderia ter feito algo, mas imediatamente reconheço que não. Talvez vocês entendam o que estou tentando dizer, embora não tenha certeza disso. Mas a essa altura da situação, não me sinto no direito de obrigá-los a compreender meus pensamentos.

Tudo que foi gerado em mim e me transformou nisso de que agora estou tentando escapar são resultados de forças que agiam sobre mim, mas que estavam além do meu controle da minha consciência. Eu não tinha a inteligência necessária para perceber. Eram forças imensamente imensas. Tudo, porém, parecia normal aos meus sentidos e a minha mente. E sem perceber, sucumbi.

Suspeito que a minha queda também esteja no fato dos milhares de erros que cometi contra vocês. Erros, aliás, que eu julgava perfeitamente toleráveis e que vocês estavam obrigados a suportar em silêncio. Custoso engano! Foram inúmeras as vezes que vos obriguei a fazer aquilo que eu mesmo não praticava. Meu Deus! Como eu fui hipócrita!

Creio que nunca dediquei um pouco do meu tempo para pensar sobre o significado de sinceridade, coragem, amor e bondade. Eu imaginava que vivia essas coisas, quando na verdade as desprezava. Acho que fiz muita confusão sobre elas. Acho mesmo que minha vida era guiada mais por uma arrogância indômita e por um descuido crônico para comigo, e para com vocês também.

Talvez estas minhas palavras não sejam tão importantes agora, mas é tudo o que posso fazer e sinto-me inclinado a fazer. Não me vejo existindo fora disso. Por enquanto, dizer-lhes o que sinto é a coisa mais significativa para mim. Oh, céus! Como pude levar tanto tempo para admitir que perdera o controle?!

Na verdade, sinto-me como um juiz sem martelo e veredito suspenso: sou incapaz de me condenar e igualmente incapaz de me absolver. Mas, enfim, isso é tudo o que posso dizer-lhes.

Espero que algumas destas minhas palavras possam fazer-lhes sentido. Que consigam ver nelas algo pelo que valha a pena ficar ao meu lado e ajudar-me a me reconstruir.

Atenciosamente,

Aquele que nunca foi quem deveria ser.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Pequeno livrinho sobre o ministério da encarnação

Sem tempo e sem algo em mente para publicar hoje no blog, decidi posta as imagens que se seguem. Trata-se do fragmento de um livrinho sobre o mistério da encarnação do Senhor. Não sei o nome nem a fonte literária de que foi extraído. Encontrei-o nos velhos arquivos do meu PC. Creio, porém, que o obtive do blog 'Alexandria Católica'.







sábado, 12 de janeiro de 2019

um breve conto juvenil


Uma poderosa arma de pedrinhas de diamante

fonte da foto: m.megacurioso

  Numa imensa e densa floresta, terrível perigo doze jovens corriam. Desformados seres monstruosos, parte homem e parte animal, os perseguiam com desmedida fúria. Eram monstros de aspectos hediondos que horríveis sons emitiam e de cujas bocas saia uma escura espuma de insuportável odor.

   Trazia, porém, um dos jovens, no bolso de sua camisa, uma poderosa arma. Arma esta constituída por diversas pedrinhas de diamantes unidas entre si um por um fino e dourado fio de ouro. O jovem portador dessa arma filho era de humilde pescador.

     Percebendo que aqueles terríveis monstros se aproximavam para dizimá-los, o jovem portador da poderosa arma, pressionando-a em seu peito gritou confiantemente:
     – Oh, Grandiosa dos altos céus! Vinde em nosso socorro!

    Inexplicável e imediatamente, ocorreu ensurdecedora explosão, a qual foi seguida por grande clarão que cobriu todas as cores do ambiente em que os doze jovens se encontravam. Num branco branquíssimo tudo à volta deles se tornou! Exceto o filho do pescador todos foram momentaneamente cegos pelo grande clarão. Do céu desceram sete magníficas e alvíssimas criaturas de aparência femininas dotadas de inefável beleza. Vestiam as sete criaturas vestidos brancos e sobre suas cabeças portavam, cada uma portava uma, véus azulados por um azul jamais visto. Em seus vestidos estavam escritas as palavras: imaculada, mãe, rainha, advogada, honrada, gloriosa e advogada.

    Não suportando a grande força emanada pela radiação energética que brotava das criaturas, os jovens, exceto um, caíram por terra, como que sobrecarregados por um cansaço inexplicável. Por longo tempo, eles ficaram completamente enfraquecidos, imóveis e cegos. Aproximando-se do jovem filho de pescador, porém, uma daquelas criaturas, disse-lhe suavemente:

    – Não tenhas medo. Abra os olhos. Ouvi seu clamor e vim ajuda-los. É poderosa a arma que trazes no bolso. Com carinho deves guardá-la, pois. Junto a ti carregue-a sempre, pois ela continuamente nos unirá.
    Ditas essas palavras tudo à volta daqueles jovens transformou-se milagrosamente: encontraram-se eles cada qual suas casas.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Quando nosso tempo é congelado

Há um momento na vida que nos deparamos com um estranho vazio em nossa alam: somos ilhados por acontecimentos desagradáveis e nos sentimos literalmente vivendo como que num deserto. Sentimo-nos abandonados, ou mesmo queremos estar abandonados.

Momento difícil da vida. Olhamos para trás e nada vemos além de um conjunto de fatos que desejaríamos que não nos tivesse acontecido. Chegamos mesmo a desejar apagar certos fatos passados. Olhamos para o futuros. Assim, ou padecemos pelo passado e nele nos mantemos sofrendo, ou padecemos igualmente pelo futuro: tememos ou desejamos que o porvir logo nos abrace e nos traga algum refrigério, aliviando nossa dor presente. Ansiamos desesperadamente por uma salvação.
Por má educação ou por uma ficção em nossas cabeças colocadas tendemos a alimentar a ideia de que somos os únicos a enfrentar semelhante sofrimento. Exigimos saber porque nos preparamos para tantas coisas, exceto para enfrentar a dor e angústia que no presente momento nos abraça sem que tenhamos qualquer alívio. Nos sentimos os únicos, e nada nem ninguém pode nos convencer do contrário.
O que fazer quando nossa vida é literalmente jogada num maldito deserto de sofrimento? Pessoalmente não faço a menor ideia. Acredito que não fórmula para nos tirar de tal situação. Acho mesmo que é a passagem dos dias, o desenrolar das coias e os improvisos que fazemos diariamente que realmente nos tiram das situações mais embaraçosas. De uma coisa, porém estou certo: quando temos de enfrentar algo, algo sério e profundo acontece conosco: somos jogados numa espécie de geladeira do tempo. sim: o tempo realmente para nós.

Há uma frase do Fiódor Dostoiévski que diz: Há momento em que de repente o tempo pára e acontece a eternidade. Gosto de interpretar essa frase como a vida exigindo de nós o exercício da paciência. Ser paciente em determinada circunstância da vida equivale a aplicar um método para se chegar a algo. Quantos de nós fracassaram por não ter a paciência necessária para sair de situações embaraçosas? Aliás, Franz Kafka dizia que todos os erros humanos são impaciência, uma interrupção prematura de um trabalho metódico.